Acordei e estava aqui.
Os meus sonhos abstratos deram lugar á uma inundada e chocante realidade.
Eu sabia que aqui o meu inconsciente não tinha o que queria e por isso me torturava, me levando a cometer loucuras pelo seu prazer. Por conta disso eu fui perdendo o controle, o meu inconsciente travava uma batalha contra o meu consciente, era a razão contra os sentimentos. Eu era apenas palco pra isso tudo, a única forma de reagir seria atirar na minha própria cabeça, mas isso estava fora de cogitação, pelo menos por enquanto.
A razão estava fraca e o sentimento cada vez mais forte, meu corpo fervia, minhas atitudes eram infundadas, não me enxergava mais no espelho. Um cara nada teórico, sempre prático, capaz de fazer tudo pelos seus prazeres inconscientes. A razão, apunhalada, perdia muito sangue e agonizava aos poucos, até o seu último suspiro. E foi assim que eu enlouqueci.

Já estou longe suficientemente pra não escutar as risadas.

Agora que desmoronou tudo faz sentido.

Junte-se a eles, diz o ditado.

As pessoas fingem que se importam, mas querem mais é que se foda.

E agora eu também, quero mais é que se foda.

     O Escritor e o Leitor

 

 

 

          Era mais uma segunda daquelas em que ele saía de casa atrasado pra tomar o café na esquina. Ou pelo menos parecia ser.

          Lá estava ele, com seu café e sua rotina. Ali sempre passava um casal de velhinhos com um saquinho de milho nas mãos da senhora, iam até a praça onde ficavam abraçados dando milho aos pombos. Dois estudantes, um garoto e uma garota, passavam de mãos dadas rumo também à praça onde matavam aula. E quase na hora de ir para o trabalho um senhor passeava com o cachorro com toda elegância do mundo. Mas aquela manhã foi diferente.

         Uma mulher de estatura mediana, cabelos vermelhos e longos, branca e usando um óculos com bordas azuis, passou em frente à padaria com toda serenidade do mundo, mas sem notar que dentro da padaria um rapaz a observava sem piscar os olhos e até entornando o café que bebia. Ela passou, e ele ainda a via. Depois disso não viu mais a senhora, não viu mais o casal de garotos e nem reparou que pisou em um objeto que o cão do senhor elegante deixou pelo caminho.

        No trabalho não conseguia se concentrar. Só conseguia pensar naquilo que ele dizia ser, “a personificação do amor”. Tinha medo de que essa garota não fizesse parte da sua rotina constante. E quanto mais contava os segundos pra manhã do dia seguinte, mais longe parecia estar da manhã seguinte. “E se ela for comprometida?”, “e se ela não gostar de mim?”, “pior, e se ela for lésbica?”.  Pensamentos assim sequer o deixaram dormir.

       Finalmente, era manhã. E ele não se atrasou, pelo contrário, se adiantou até a padaria. Pediu o seu café como fazia todo dia, sentou-se no banco com a melhor vista pra rua. E lá veio o casal de velhinhos, o casal de garotos e o senhor elegante. Começou a se preocupar, e quando ia se virar para pagar o café, lá estava ela, a “personificação do amor”, e ele precisava saber seu nome, não conseguia se imaginar com ela na cama a chamando de “personificação do amor” ou “personificaçãozinha do morzinho”, era broxante.

        Lá foi ele, todo atrapalhado, se aproximou tão rápido que ela ficou assustada. Não sabia o que dizer, não queria parecer mais um idiota que se aproximava dela pela beleza, porque sim, deviam haver muitos. Então resolveu começar pelo nome.

    - Olá, qual o seu nome?

    Ela lançou um olhar estranho pra ele, pensando se seria mais um idiota que se aproxima pela beleza dela, ou mais um desses caras que fazem cartões pra bancos.

    - Roza, por quê?

Faz sentido que seja uma flor - ele pensou e conteve-se pra não dizer.

    - Ah, você teve a ousadia de quebrar minha rotina passando por aqui, então eu precisava saber seu nome.

Roza se assustou mais ainda.

    - E você acha mesmo que o mundo gira ao redor do seu umbigo assim? Falou em tom irônico.

   - Não, você não entendeu bem. O mundo até que me fez um grande favor te colocando em minha rotina. Desde ontem que não penso em outra coisa que não seja te ver de novo. A gente acaba se conformando com uma rotina e quando avistamos coisas novas lembramos que o mundo é bem maior do que a vista do café na padaria.

Que cantada mais maluca. Bom, mas pelo menos foi original - ela pensou e quis ser simpática.

   - Ah sim, e seu nome qual é?

   - Eldis, prazer. - disse sorrindo.     

   -Prazer, Eldis. Agora já vou indo, preciso trabalhar - e virou-se.

   - Ei, espere.

  Ela se virou

   - Diga.

   - Pode me dar seu telefone?

  Ela parou, pensou e disse num tom irônico mais uma vez:

   - Claro.

   Ele então pegou o celular e esperou ansioso que ela dissesse o numero.

   Ela disse então o número e reparou que ele havia digitado “Roza” com s:

   - Eldis, meu nome é com z – sorrindo.

   - Com z? – assustado.

   - Sim, acho que o cara do cartório era analfabeto. Mas acabou sendo legal, porque “rosa” com “s” tem aos montes já com “z” sou só eu.

   - É verdade. O meu nome era pra ser Elvis e não Eldis, mas o cara do cartório havia bebido demais.

   - Sério?

   - Não. Mas eu gostaria que fosse.

  Os dois riram até Roza interromper.

   - Agora já vou indo, nos falamos quando você ligar. Até.

   - Até.

   

        E mais um dia de trabalho perdido. Além de ter chegado atrasado, estava ansioso demais pra se concentrar. Queria chegar logo em casa pra fazer a ligação. Chegou então em casa e foi direto ao telefone. Tocou, tocou, tocou e nada. No dia seguinte esperou na padaria se atrasando mais uma vez, e nada. E assim se manteve por semanas, agoniado, sem notícias, querendo vê-la.

        De repente, se deu conta de que ela não daria o número para um estranho e desistiu. Ainda havia ali um fio de esperança, pelo seu lado sentimental, de vê-la, mas a razão o torturava dizendo que era o fim.

      Então nunca mais ele...

 

Leitor:

 

Por favor, senhor escritor. Sei que meu papel aqui é de mero leitor. Mas devo interferir na trama e interceder por quem ama.

Dê a esse pobre rapaz o destino que quiser, mas prometa que no fim ele ficará com a mulher.

 

Escritor:

 

Me apaixonei pela arte de escrever exatamente por poder brincar de Deus. Quanto mais Deus me castiga, mais eu castigo meus personagens. Então deixe-me terminar do meu jeito essa história e recoloque-se no seu lugar.

 

Continuando:

 

Então nunca mais ele teve paz, depois que viu aquela Roza.

 

Sem Sentido

 

 

     Chegou a sua casa um pouco mais tarde que o horário de costume. Sua expressão abalada era conseqüência das reflexões durante o longo caminho do emprego até lá. Primeiro ligou a tv e abaixou totalmente o volume. Logo depois ligou o som e colocou um cd do Led Zeppelin no último volume. Acendeu um cigarro, pegou um cinzeiro e assentou-se.

 

      Não sentia mais nada, pois o mundo estava menor ali. Não sabia que nesse mesmo instante um terremoto destruía o mundo. A terra tremia, mas ele não sentia, estava concentrado na fuga de suas reflexões. Não havia mais tv, não havia mais Led Zeppelin, mas ele estava distante demais pra perceber. Sua casa desabava, até mesmo atingindo-o, mas ele não sentia. Dentro do seu mundo o que havia era um grande branco contornando as verdades e mentiras que o abalavam. Os destroços ao seu redor não tinham sentido e se identificavam com ele. Isso justificava a sua vida enquanto todos daquele mundo já haviam morrido.

 

     Quando já havia dado a volta em sua mente, despertou. Já não havia mais terremoto, somente os destroços, que já o tinham como amigo. Abriu os olhos, e viu um imenso nada.

     Disse:

      - Agora todo o meu egocentrismo faz sentido.

     E então sorriu.

O tempo fechou pra chuva cair

Nada está claro e nem há crença em uma melhora

O Sorriso de mãos dadas com a lagrima intensifica um imenso contraste global

Deveríamos ser poupados, mas um grande e cruel abraço nos persegue

 

Eu não sabia que eu era assim

Tamanho é o medo da mentira que torna a verdade uma dor

Persisto em acreditar, mas persistem em me desvirtuar

O que se passa realmente em seu coração quando pensa em mim?

 

Sigo despenteado e só

Disposto a acreditar na grande ilusão da felicidade

Eu quase não vejo o mal com certeza, estou sempre no muro

Qual é a real de tudo que guardou os seus porens?

 

Me liberto ou não, meu bem?

Desculpe-me, mas eu não posso controlar o que sinto.

Desculpe-me, mas eu não posso controlar o que penso.

Desculpe-me, mas eu não posso controlar o meu medo.

 

Quem disse que somos donos de nós mesmos?

 

Minha visão pessimista quanto a tudo.

Minha auto-estima de merda.

Nada disso é culpa minha.

 

A vida ainda me parece um círculo vicioso que fica se repetindo até que eu aprenda.

Se isso for verdade estou no caminho errado.

Sentir isso é horrível, mas sempre vale quando vem o alivio de estar enganado.

O chão fica inclinado uns sessenta graus pra esquerda e o peso do fim da paranóia consegue equilibra-la de novo.

Preciso me sentir seguro novamente nessa corda bamba de milhares de metros de altura, mas não tenho ajuda nisso e se eu cair posso morrer. Tá ok! Não precisa de tanto drama assim. Será apenas mais um tombo de tantos outros.

Prefiro mesmo não levar em conta essa possibilidade. Que eu chegue logo ao fim da corda bamba, desça as escadas e sinta meus pés no chão.

Vejo a suavidade, mas não sinto sinceridade.

A delicadeza é o maior dom da ironia.

Minha vida será um .ponto.final.antes.do.fim. Assim como vem sendo tudo até agora, 18 anos.

Decidi queimar minha vida toda como um viciado queima um cigarro.

A vida me parece um eterno circulo vicioso em que minha sina não irá mudar de forma alguma. Porque então alimentar esperanças e essa eterna busca por uma estabilidade no futuro? Essa busca que é obviamente imposta pelo sistema.

O cigarro e a bebida são ferramentas do sistema e eu caí direitinho nesse jogo.

Eu vou passar minhas férias em meu quarto, trancado. Lá me parece seguro. Tem livros, violão e discos. Lá irei refletir e preparar a minha “desconstrução”. Uma reforma pseudo-real.

Sabe, desde o começo foi foda! Foi meio que do nada. O acaso planejando seu golpe e atacando sem dó. Eu não pensei que fosse até onde foi, pois estava concentrado em outra coisa, se é que você me entende.

Mesmo quando a vi pela primeira vez não achei isso, só a achei foda!

Achei que pararia por ali mesmo, minha baixa auto-estima não me deixava acreditar.

Até que eu abri a guarda e o acaso sem dó me golpeou no peito. E tudo parecia ter ganhado cor, eu tive medo, mas fui feliz, tive esperança. Não sei se foram os Beatles o Elvis ou o sorriso. Provavelmente foi tudo isso. E quando meu medo já havia sido abandonado, tinha me tornado seguro, minha auto-estima elevada, o romance vira drama. A vida não é filme, eu não aprendi.

Pois é, doeu e dói. O pior é o medo de que tudo tenha sido falso e que agora eu seja motivo de risadas. Eu sei o quanto sou idiota, eu sei.

Eu não me apaixonei, mas eu confiei, eu gostei, eu abri mão e eu quase acreditei na felicidade. Eu queria de verdade ela na minha vida, mesmo que sem os beijos, ela me faz bem. E mais uma vez entrei em contradição. O pior que ela se afastou, e isso dói, tenho vontade de falar com ela, mas não tenho coragem.

Eu sei que é muito pouco tempo pra tanto drama, mas sou mesmo sensível a cada segundo de vida, meus sentimentos são sempre intensos. Eu amo muito, gosto muito, odeio muito! Esse muito é sempre constante, e algumas pessoas não conseguem entender, eu sou sentimental.

Agora procuro desesperadamente um colete pro meu coração. Pra que eu possa me proteger desses golpes do acaso, pra que eu possa machucar ao invés de ser machucado, pra que eu vire mesmo mais um desses babacas que pisam sem dó.

Lembra quando eu disse que sabia de quem gostar? Eu não sei.

Eu não estava enganado.

Hahahahahaha.

A vida é tão obvia e ainda acha que me surpreende.

Pode até me machucar, mas não é capaz de me derrubar.

Eu sou um cara de pau mesmo, não aprendi nada daquela vez. O filme se repete bem menor, mas se repete. Ainda bem que meu coração agora está mais duro e sou capaz de suportar sem lagrimas.
Quando o céu parecia ganhar cor, ele desabou.

Mas talvez eu encontre um tom que disfarce esse meu dom de sofrer.

 

Posso perder minha mulher minha mãe, desde que eu tenha o meu rock and roll.

 

Segue a vida... segue o blog. =)

 

 

Paranóia ou não, isso me machuca.

Os valores estão mesmo em crise, o que já foi o paraíso, hoje esta sendo tomado pelo inferno.

O pior é que consigo compreender, já que também sou assim.

Bom, pelo menos eu tento vencer essa fraqueza e tenho conseguido perfeitamente.

A construção da realidade pós-adolescência dói bastante, mas é totalmente necessária.

Estou aprendendo o que realmente vale a pena na vida.

O que vale a pena gostar, o que vale a pena querer, a dor é necessária para a compreensão.

Eu sei gostar. Dói, mas passa.

Mas pode ser que eu esteja enganado.

Vai cair.

E não somente a melodia será triste, mas a letra também.

É tanto cinismo que vou ficando cada vez mais descrente desse mundo.

O amor morreu ano passado e esse ano vai morrendo a amizade, uma das poucas coisas que eu ainda era fervorosamente crente.

Ah se eu soubesse que a adolescência era assim, eu não arriscaria chegar até aqui.

O que é belo na vida vai embaçando, eu vou me tornando arrogante e cínico como os outros.

Já não sei o que pensar. Por que iludir tanto uma criança e deixa-la descobrir sozinha assim o peso da realidade da vida.

Prefiro mesmo ser igual a Jonas e me esconder na barriga da Baleia. Sem castigo, por favor, já me é suficiente essa dose.

E eu preciso de um abraço e eu preciso de um beijo.

Vai faltar fôlego.

Vai faltar água.

Sirenes ligadas.

Muros no chão.

Fogo no ar.

 

Estupefato a cada segundo, sentindo o caos se aproximar.

O mundo parece jogar contra mim.

Mas como eu sou pretensioso, achar que o mundo se preocupa comigo. Na verdade o problema é esse, ele não se preocupa. Pra mim tudo parece mais difícil, ou sou fraco ou o resto do mundo é forte, fico com a primeira opção.

Sofrendo por amor, amigo? Tudo bem, isso é normal. Pelo menos você tem alguém pra amar. Eu já não consigo amar ninguém.

 

O caos correndo solto no mundo e eu só consigo refletir sobre esse meu mundinho particular de merda.

Era meio dia e ninguém saiu pra passear.

 

Hoje acordei como todo dia, disposto a mudar ou deixar que vocês mudem minha perspectiva.

Hoje deu certo, ela mudou pra pior.

 

Tudo aqui vai soar triste, mas considero isso natural. Talvez por pura acomodação, talvez por pura lógica. As reflexões levam mesmo a tristeza.

Enquanto encontro mil e um motivos para estar feliz, recebo um milhão de motivos para estar triste.  

Nietzsche mesmo, no livro Ecce Homo que li recentemente, atribuí seu intelecto a décadence. A dor e a cegueira se aproximavam, mas a visão quanto ao mundo era cada vez mais intensa e ter uma visão lúcida nesse mundo só piora as coisas.

Eu queria pelos menos por uma noite matar a minha sede de descansar em paz e voltar no outro dia com o espírito limpo e pronto pra lutar. Mas não é bem assim, tenho que todo dia levantar e carregar todos os problemas acumulados e em seguida pegar a rocha mais pesada como fiz hoje.

 

Odeio de verdade meu pessimismo quanto a tudo, mas isso também é fruto de muita reflexão e sofrimento.

 

Talvez você não tenha entendido nada do que eu escrevi e isso é bom. A intenção é mesmo que ninguém entenda, não tenho coragem de dar minha cara à tapa ser tido como infantil e idiota. Mesmo que você entenda ainda restará dúvidas e isso é suficiente pra me tranqüilizar.

 

Biip... Secretária eletrônica:

Chamem a equipe de limpeza. Meus destroços estão todos no chão.
Levem logo daqui toda essa sujeira, antes que eu me arrependa.

Eu já entendi que a felicidade é a ilusão mais deliciosa de que já se ouviu falar. E que sem a tristeza ela não seria tão deliciosa assim. Mas cá entre nós, entre nós há muita coisa.
Essa maldita instabilidade que me quebra e me fez falar de destroços no inicio do texto.
Não sou exato, não sou correto. Eu sou torto entre milhões de formas comuns de um ser na sociedade.
Ao falar em público e tremer, eu sou um covarde.
Ao tremer e falar em público, eu tenho coragem.

Não sou lá muito amigável, minha instabilidade também me atrapalha nisso.
Nem entendo o nojo que às vezes sinto de mim mesmo.
Não entendo também porque me apego tanto as pessoas e creio fervorosamente nos detalhes de cada palavra dita para mim.
Esse paradoxo que me mata.
Nem mesmo tenho coragem de dizer o que é. Não é amor, talvez nem ego.
É apenas uma vontade de ser mais um na sociedade e alimentar meus instintos mais humanos.

Depois que eu sair, eu apago a luz e fecho a porta. Juro que deixo um bilhete lhe contando a verdade. A chave se encontrará debaixo do tapete.

Não tenho a mínima intenção na poesia, isso é tudo parte do meu cotidiano.

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